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Enola Holmes: Simplicidade e carisma no novo filme da Netflix

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Enola Holmes: Simplicidade e muito carisma em mais uma produção da Netflix. Millie Bobby Brown leva nas costas uma aventura com cara de início de franquia, confira.

Por Marcelo Silva

A Netflix já tinha avisado no final do ano passado que em 2020 eles investiriam pesado em lançamentos de filmes, ainda assim parece proposital que justo agora, quando não há nenhuma concorrência nos cinemas, a plataforma esteja estreando quase uma produção nova por semana. Depois de “Estou Pensando em Acabar com Tudo” e “O Diabo de Cada Dia” porém, eles resolveram dar uma trégua nos filmes sombrios, pessimistas ou simplesmente confusos e entregaram puro e simples entretenimento. 

Enola Holmes é uma personagem criada para a série de livros de Nancy Springer, que por sua vez se baseia no universo de Sherlock Holmes criado por Arthur Conan Doyle. Aqui, Enola é a caçula da família Holmes, vivendo sob a sombra de seus irmãos, o rígido Mycroft e o mundialmente famoso Sherlock. O filme é uma adaptação do primeiro romance de Springer, “O Caso do Marquês Desaparecido”, em que a garota vai em busca da mãe que desaparece misteriosamente mas sem querer acaba se envolvendo no caso do título.

O trailer divulgado no mês passado vendia uma aventura simples, descompromissada e divertida e é exatamente isso que o filme entrega. “Enola Holmes” é feito sob medida para ser assistido num fim de semana com um balde de pipoca no colo. Não há muito cuidado com o cânone de Sherlock Holmes e o roteiro é dos mais básicos, recheado de diversos clichês e reviravoltas fáceis de adivinhar para quem está familiarizado com histórias de detetive, mas o charme da produção está em seu elenco, mais especificamente na sua protagonista. 

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Millie Bobby Brown carrega as mais de duas horas de filme nas costas, divertida e com um carisma que a faz funcionar com todo mundo que contracena. O novato Louis Partridge, que interpreta o Marquês de Tewkesbury é especialmente beneficiado, tendo uma química maravilhosa com Brown. Ela só não supera Helena Bonham Carter, que sempre rouba a cena nos poucos minutos em que aparece. E Henry Cavill pode incomodar os fãs mais puristas de Sherlock, já que ele nunca foi um poço de expressividade, mas sendo um coadjuvante aqui, faz um trabalho bom o suficiente para deixar a protagonista brilhar. 

Enola Holmes, Netflix
imagem reprodução de Enola Holmes / Netflix

Porém, mesmo relevando a simplicidade do roteiro, o filme tem suas falhas. A principal armadilha que ele cai é também o que podem ter pensado que seria seu grande triunfo: a quebra da quarta parede. Um recurso antigo que vem aparecendo cada vez em blockbusters e séries de sucesso nos últimos anos, ele pode ser maravilhoso quando bem utilizado (Como em “Deadpool”, “House of Cards” e principalmente “Fleabag”), mas um problema quando jogado numa história gratuitamente. 

Em “Enola Holmes”, qual exatamente é a função da personagem conversando conosco? Não faz diferença no desenvolvimento dela, nem cria um laço maior com o espectador, que já é perfeitamente convencido pelo desenrolar da história. Também não tem um conceito narrativo por trás, como em “Aves de Rapina”, onde a ferramenta é usada para representar Arlequina controlando a própria narrativa. No fim, rende algumas risadas aqui e ali, principalmente nas reações silenciosas a algo ou alguém – pura reminiscência de “Fleabag”, que foi toda dirigida por Harry Bradbeer, que também assina esse filme – mas acaba sendo mais uma distração do que qualquer outra coisa. 

Enola Holmes, netflix
Imagem reprodução de Enola Holmes/Netflix

Felizmente isso não chega a atrapalhar o resultado final, já que para compensar esse excesso, o filme acerta em cheio na forma como desenvolve e conclui a relação entre a protagonista e seu parceiro de missão, tem uma mensagem que apesar de se render a discursos prontos em alguns momentos, funciona na maior parte do tempo e no geral, tem uma direção dinâmica e cheia de energia que mantém o espectador engajado e interessado em ver onde a história vai terminar.

No fim das contas, o maior triunfo de “Enola Holmes” é que enquanto o filme ainda está rolando, é difícil já não ficar com vontade de ver toda uma franquia nesse universo. Não há nada confirmado ainda, mas pelo sucesso que o filme vem fazendo até agora, creio que essa não será a única vez que veremos a irmã de Sherlock Holmes na Netflix. Pois eu já estou pronto para a próxima aventura. 

Marcelo Silva, colunista de Cultura.

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