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Três meses e 45 mil mortos de Covid no Brasil

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Esses são os números registrados desde a data da primeira morte registrada por COVID-19 no Brasil, no dia 16 de Março.

Hoje, 16 de Junho já são mais de 45 mil mortos pela Covid no Brasil, os dados atualizados diariamente através do Conass, vide tabela, demonstram o aumento diário de casos e de mortes pela doença no território brasileiro.

Em meio aos constantes aumentos nos números da Covid, vemos medidas de relaxamento social sendo adotadas em diversos estados brasileiros, indo na contra mão de tudo que pedem os especialistas. Para se ter noção, em exatamente três meses de Pandemia no país, as mortes por Coronavírus superaram o total de mortes ocorridas no trânsito de 2019, foram 40.721 mortos decorrentes de acidentes de trânsito no país.

Segundo relatório anual da Líder, administradora do seguro DPVAT, a morte no trânsito é a décima principal causa de mortalidade do Brasil.

Além de superar a alta taxa de mortalidade no trânsito, o novo Coronavírus já ultrapassou também o registro de homicídios dolosos do ano passado, foram 39.776 de acordo com dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública. A Covid, em três meses, também já ultrapassou os dados de mortalidade por doenças renais, por exemplo, que no último levantamento do ano de 2018, era de 43 mil mortos.

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O Brasil já é o segundo país no ranking de mortes, além de assumir a segunda posição também no número de casos confirmados pelo novo coronavírus, atrás apenas dos Estados Unidos em ambos comparativos. E segundo a OPAS (Organização Pan-americana de saúde) não há indícios de queda nas taxas de contaminação em ambos países.

Curiosamente, através de seus presidentes, Estados Unidos e Brasil adotaram os mesmos discursos relacionados à Pandemia e hoje colhem os mesmos desastres.

Sempre vale ressaltar que o Brasil testa muito pouco em relação ao que recomendam todas entidades e órgãos de saúde do mundo e portanto, a subnotificação omite os números reais. Hoje, são 923 mil diagnosticados e segundo diversos especialistas e cientistas, provavelmente estejamos na casa dos milhões e não dos milhares.

Hoje, o mundo inteiro só tem dois objetivos: reduzir o número de óbitos causados pelo novo coronavírus e, o mais brevemente possível, se tudo correr bem, desenvolver a cura, uma vacina ou um tratamento. Menos o Brasil, que se preocupa em reabrir shoppings e comércios.

Mas entre esses dois universos, reduzir os óbitos e desenvolver uma cura, existe um abismo e para aproximar esses universos é essencial mapear onde o vírus circula e em que estágio de contaminação se encontra a pandemia. Testagem é fundamental para detectar os infectados, isolá-los e frear avanço da pandemia no país. Cientistas recorrem a números de óbitos e de ocupação de leitos para entender a progressão da doença.

O Brasil, desde o começo da Pandemia sempre esteve na contra mão de tudo que foi preconizado pela ciência e a cada novo levantamento dos números, quebravam-se os recordes negativos e hoje o país é motivo de duras críticas e desconfiança mundial. O país se isola do mundo ao não tratar com seriedade a Pandemia e demonstra o fracasso governamental na gestão da crise.

A negligência causa mortes e apenas nisso o Brasil se mostra “acima de todos”, como preconiza o slogan do Governo Federal. Seguimos a marcha funerária enquanto o presidente vive em um universo paralelo e sua única preocupação é disseminar suas idéias e suas loucuras, competindo com o vírus para ver quem destrói mais uma nação.

O que está por trás dos números e da dificuldade no combate ao coronavírus pelos brasileiros?

Se não há ações de proteção social, medidas econômicas efetivas e capazes de proporcionar que as populações pobres possam aderir às políticas de distanciamento social, fica muito difícil combater a disseminação do vírus, ainda mais em um país onde o saneamento básico é luxo em diversos lugares.

A Pandemia e a falta de ações efetivas por parte do Governo aumenta e escancara as desigualdades sociais. São as pessoas que necessitam sair quase todos os dias para trabalhar, enfrentam transportes públicos, que vivem na informalidade e não têm nenhum tipo de proteção trabalhista e social, essas pessoas vivem à deriva e a própria sorte. Essa grande parte da população é a mais atingida e a que mais morre pela doença.

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