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Soul: sobre tudo que realmente importa

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Soul encerra 2020 com mensagens importantes sobre o que realmente importa na vida. Confira a análise especial em nossa coluna de Cultura sobre Soul, o novo e belíssimo filme da Pixar.

Por Marcelo Silva

Houve um momento, mais exatamente no meio de 2018, em que me senti encurralado. Saído do transe causado pela perda de duas pessoas essenciais para a minha vida, me senti perdido porque meu emprego da época já não me motivava mais, mas ao mesmo tempo não conseguia pensar em nada que poderia fazer isso. O que eu deveria fazer da vida? No que eu me daria realmente bem? O que me deixaria feliz? Afinal de contas, qual era meu sonho, meu objetivo, meu destino nesse mundo?

No fim das contas, voltei a estudar Cinema, o primeiro caminho que escolhi seguir, há dez anos (meu Deus estou velho demais). Ainda assim ficou aquele medo lá no fundo: se as coisas derem certo, será que isso realmente vai me fazer feliz? E se quando eu conseguir trabalhar nessa área, não for especial como eu espero? Apesar de sentir que estou no caminho certo até agora, essa insegurança ainda existe lá no fundo e volta a me incomodar de tempos em tempos.

Eis que vem a Pixar, o mesmo estúdio que criou o filme perfeito para o início da minha vida adulta com “Toy Story 3”, o mesmo que mostrou que podemos nos dar ao luxo de vivenciar a tristeza para poder superar um momento difícil em “Divertida Mente”, o mesmo que conseguiu me dar o conforto que ninguém tinha conseguido até então com “Viva — A Vida é uma Festa”, para mostrar que o mundo não se baseia apenas numa busca do que estamos destinados a fazer. Eis que a Pixar lançou “Soul”.

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Dirigido por Pete Docter, essa nova produção dá um passo além na ambição de “Divertida Mente” (também dirigido por ele) e agora busca desvendar os segredos da nossa alma. É inacreditável, mas eles realmente se prestaram ao papel de explorar uma das perguntas definitivas da humanidade: qual é o sentido da vida?

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imagem divulgação – Soul/ Pixar

É importante se ater a uma palavra aqui, que é explorar. Tal qual em seu filme sobre emoções, Docter (que assina o roteiro junto com Mike Jones e Kemp Powers) nunca é pretensioso o suficiente para dar respostas efetivas, mas sim reflexões que levam a determinadas conclusões dentro da história que foi contada.

E que maravilhoso é ver o storytelling perfeito da Pixar na sua melhor forma novamente. Não há uma atmosfera de prepotência ou sentimento de superioridade, ainda que os assuntos abordados sejam um tanto complexos. Sentimos que os envolvidos nesse projeto são fascinados o suficiente pela história que criaram para nos deixar da mesma maneira. O melhor é que na prática, ninguém está reinventando a roda aqui: a dupla inusitada tendo que se unir para resolver um problema, a estratégia de um personagem explicando tudo para o protagonista (consequentemente, para o público), o conflito entre a dupla no final do segundo ato, está tudo lá.

Mas o que faz “Soul” brilhar é a forma e o contexto nos quais essas ferramentas são utilizadas. Joe Gardner e 22 (Jamie Foxx e Tina Fey, numa química impecável) são personagens cativantes porque representam quem somos e quem deixamos de ser em algum momento. Todo mundo já foi fascinado com a cor do céu, o pôr do sol, o gosto das coisas, todo mundo já aproveitou mais do que o mundo pode oferecer. A sociedade ensina que isso se perde naturalmente porque precisamos focar em outras coisas, ganhamos obrigações, não dá para viver só das pequenas belezas do mundo. O grande problema é que acabamos esquecendo totalmente delas.

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imagem reprodução /Soul/Pixar

Com isso vem a maneira criativa com a qual Pete Docter usa os chavões da Pixar. Não vou entrar em detalhes pois isso é uma parte da história que a Disney surpreendentemente manteve escondida dos trailers, mas digamos que a dupla aprende as lições que precisa, evolui e se unem para resolver um grande problema das formas mais inusitadas possíveis. E o filme toma todo o cuidado de separar os conceitos de mente e alma, o que faz a diferença na hora de resolver todas essas questões e ainda acaba levando a uma das cenas mais bonitas e emocionantes de 2020 no clímax, quando Joe vai tocar piano em sua casa.

Toda essa sensibilidade e leveza na forma de abordar temas tão complexos já seria o suficiente para um grande filme, mas “Soul” vai além. A trilha sonora é excelente, com o jazz de Jon Baptiste (que toca enquanto a história se passa no mundo terreno) contrastando com os sons meio futuristas, meio etéreos de Trent Reznor e Atticus Ross (de quando os personagens estão no além-vida) e as escolhas para o elenco foram certeiras, em especial a de Graham Norton, que brilha como Moonwind e Angela Bassett, poderosa como Dorothea Williams.

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Imagem reprodução / Soul/ Pixar

Mas nada impressiona mais do que a animação. A essa altura, não é como se a Pixar precisasse entregar algo além do que já vimos o estúdio fazer, mas eles fizeram questão. “Soul” se passa em Nova York e a cidade está viva e cheia de cores e detalhes, mais do que qualquer outro ambiente já criado numa animação deles e, pra falar a verdade, há mais vida do que em muitos filmes live action passados na cidade americana. Além disso, a fotografia é fantástica. Houve um trabalho especial com a iluminação aqui, e levando em conta que o elenco é majoritariamente negro, a forma como a luz destaca os diferentes tons de pele, cabelos e olhos desses personagens tem um resultado arrebatador.

Enfim, “Soul” foi o filme perfeito para encerrar 2020. Num ano que cobrou tanto da humanidade, que fez todo mundo reavaliar prioridades, repensar objetivos e temer pela perspectiva de um futuro, a história de Joe Gardner, perfeitamente animada e cheia de música, veio para nos mostrar que devemos sim ter sonhos, buscar propósitos e motivações, mas não deixar eles nos consumir nem nos definir. Somos mais que isso, o mundo tem muito para se aproveitar e não podemos esquecer disso, principalmente quando tudo voltar ao normal e pudermos sair com segurança por aí para aproveitar o dia.

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imagem reprodução / Soul/ Pixar

Quanto a mim? Bem, até agora estudar Cinema tem me feito muito feliz e meus sonhos para trabalhar nessa área seguem mais vivos do que nunca. Talvez eu realize eles, talvez não, talvez o caminho que eu vá seguir seja muito diferente do esperado. O mais importante é estar buscando por isso (a regra número 1 de storytelling da Pixar: “Admire o personagem por tentar, mais do que pelos seus sucessos”) e principalmente, valorizar tudo e todos que me motivam ou já me motivaram a continuar seguindo por esse caminho.

Porque se tem uma coisa que “Soul” fez por mim, foi me fazer perceber que é assim que eu realmente preencho minha alma.

Marcelo Silva, colunista de Cultura

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