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Senso comum e discurso raso: corra disso!

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Falso dilema Vida x Economia

Ao ouvir constantemente esse dilema entre salvar vidas e depois morrer de fome pela crise econômica, que particularmente eu acho bem superficial e tem uma agenda monetária de fundo, pensei em fazer uma matéria a respeito. Para tal, encontrei um artigo muito esclarecedor e bem lúcido na Academia Brasileira de Ciências, artigo escrito pelo acadêmico Antônio Gomes Souza Filho, professor de Física da Universidade Federal do Ceará.

Senso comum e discurso raso: corra disso!
A Imagem define a coisificação do homem no atual sistema socioeconômico.
Retirada de Brainly.com.br

No artigo, Souza Filho tem uma abordagem muito atual da conjuntura e baseia-se em estudos apresentados em março por estudiosos do MIT e do Federal Reserve Bank, ambos nos Estados Unidos, que tiveram uma conclusão bastante interessante: as medidas de saúde pública (quarentena) não depreciam a economia, as pandemias sim.

Analisando os dados de várias cidades americanas por ocasião da Gripe Espanhola no início do século passado, eles analisaram os indicadores da economia e mostraram que as cidades que adotaram o isolamento social apresentaram durante o período epidemiológico um desempenho econômico similar às que não pararam, mas o mais importante foi que no pós-gripe espanhola, as cidades que adotaram o isolamento recuperaram-se economicamente mais rápido.
Oras, não existe essa de que priorizar a saúde e a vida é esquecer da economia.

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É verdade que experimentos sociais não garantem que o resultado de um cenário  necessariamente se aplique a outro, mas mesmo assim é mais seguro e coerente ter essa referência do que seguir apenas achismos não fundamentados.

Resumindo, a ciência nos aponta que,  podemos sim termos menos mortes e menos impacto econômico, e que na ausência de uma vacina ou medicamento, o isolamento social é única opção até controlar a disseminação da doença. O cenário que o presidente e sua claque defende é um cenário com  mais mortes e mais impacto econômico, já que querem o fim do isolamento social.

Não deveríamos ter dúvidas sobre qual estratégia seguir!

Pesquisei sobre um efeito citado nesse estudo, um fenômeno que é notado frente à atual crise e aos fatos. Trata-se do efeito Dunning-Kruger.

E que raios seria esse tal de fenômeno social?

O efeito Dunning-Kruger se dá quando as pessoas que quase nada sabem sobre um assunto acreditam saber mais que os  estudiosos e profissionais das áreas. O efeito revela-se como uma superioridade ilusória que se alinha com a dificuldade  de reconhecer suas próprias limitações e erros.

Todos nós erramos e ninguém é imune a erros, isso também acontece com a ciência, como já disse em uma matéria aqui publicada: a ciência é movida por incertezas e a partir dos questionamentos que surgem, os estudos e os dados são criados.

A única coisa que não podemos e nem devemos fazer, principalmente no meio de uma tempestade é continuar ignorando os fatos e dados já existentes, e pior, manter uma visão distorcida dos mesmos. Isso se chama ignorância.

Fiz questão de pesquisar frases de grandes pensadores e intelectuais a respeito da ignorância e aí me deparei com essa frase de Nelson Rodrigues:

“A burrice é diferente da ignorância. A ignorância é o desconhecimento dos fatos e das possibilidades. A burrice é uma força da natureza ”

Nesses quatro meses de Covid-19 no mundo, já temos conhecimento suficiente para não repetir como papagaios declarações estúpidas nesse momento. E são tantas groselhas espalhadas mundo afora que me deixa abismado.


Os achismos e constantes fakenews que são espalhadas por aí por políticos e seus fãs, além dos empresários brasileiros incitando as pessoas a romperem a quarentena usando de suas dificuldades econômicas e a clara falta de conhecimento – sim, ainda precisamos falar que lavar as mãos é primordial – como ferramentas.

Além de desonestos em brincar com a vida das pessoas, usam da ignorância ao negar um fato verdadeiro e de amplitude global, a gravidade da Pandemia.

Portanto fica claro que quanto mais eficaz o isolamento físico/social e o quanto antes for feito melhor os resultados, tanto na área epidemiológica, como na área econômica.

O uso do discurso raso do anti-isolamento é unicamente fundamentado no medo de 2022. Admitir que seus prováveis adversários políticos estão com razão ao declararem isolamento em seus Estados, mais que isso, acatar às suas medidas como norte em seu governo é algo inadmissível na mente de Bolsonaro. Além de teimoso, burro (segundo Nelson Rodrigues), sofre do efeito Dunning-kruger e é insensível, além de ocioso diante milhares de mortes já causadas pela doença em seu país. Ele não trabalha, mas atrapalha!

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Que falta faz um presidente, né minha filha?

Renan Aversani

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1 comentário
  1. […] Aí eu acrescento outro efeito que explica esse achismo e ideias pré-concebidas e infundadas, que dão á pessoa certeza de que entende de assuntos dos quais não entende nada: O nome desse efeito é o Dunning-kruger, que menciono em meu último artigo, senso comum e discurso raso: corra disso! […]

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