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Senado aprova orçamento para vacina, mas governo diz que vacinação só em março

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O Senado aprova nesta quinta-feira (3), a PL que estabelece a disponibilização gratuita de vacina contra a covid-19 para toda a população. Embora a verba esteja disponível, o governo não tem planejamento hábil e diz que vacinação, só em março.

Senado aprova texto nesta quinta (3), do PL que determina que a imunização é um direito de todos e dever da União, Estados, Distrito Federal e municípios. O projeto libera R$ 1,9 bilhão para a compra de vacinas e estabelece que “grupos mais vulneráveis” devem ser priorizados na vacinação.

As regras, segundo o PL, devem ser baseadas em “informações e dados demográficos, epidemiológicos e sanitários”. O governo deverá dar transparência aos critérios escolhidos e ouvir a comissão formada por secretários estaduais e municipais e o Conselho Nacional de Saúde. Informações sobre distribuição de doses e recursos também devem ser públicas e disponibilizadas online.

Não há, no entanto, um prazo para que o governo apresente o regulamento com os critérios de imunização. O texto original previa que o documento deveria ser elaborado em até 30 dias, mas o relator considerou “inconstitucional” determinar uma data.

O projeto de lei estabelece ainda que o Sistema Único de Saúde (SUS) terá prioridade nas aquisições e na distribuição das vacinas contra a covid-19, até que as metas de cobertura vacinal nacional sejam alcançadas.

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O que o governo apresentou até agora?

O ministério da saúde apresentou apenas ontem um cronograma de imunização e nele a vacinação só irá acontecer em março do ano que vem. O governo incluiu apenas a vacina que está sendo produzida pela farmacêutica AstraZeneca em parceria com a Universidade de Oxford. Apenas uma das quatro vacinas em teste no Brasil está no calendário de imunização.

A previsão do governo é distribuir 100 milhões de doses da candidata de Oxford ainda no primeiro semestre de 2021; as vacinas devem vir prontas para a aplicação. Enquanto isso, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) trabalhará na produção de mais imunizantes, já que a parceria prevê a transferência de tecnologia para confecção em território brasileiro. Assim, para o segundo semestre, a expectativa é de distribuir mais 165 milhões de doses.

Até o imunizante Coronavac, produção do laboratório Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, que está mais avançado que a produção da vacina britânica e cujo acordo também prevê transferência de tecnologia, ficou de fora. A não inclusão de uma vacina que já se mostrou eficiente e segura em todas as fases de testes, gera questionamentos.

Os questionamentos surgem pois a Coronavac tem sido motivo de briga política do Governo federal com o Governo do Estado de São Paulo – que tornou possível a produção da vacina no país.

Outras candidatas, como a vacina da Pfizer (já aprovada no Reino Unido), Sputnik V ou Johnson & Johnson não foram inclusas no programa de vacinação. O Brasil ficará refém de apenas uma vacina que não irá abranger toda a população.

Questões ideológicas defendidas por Jair Bolsonaro (sem partido), colocam a vida da população em segundo plano. Ideologias sem nenhuma lógica plausível e pautadas por negacionismos científicos. Bolsonaro segue sua jornada de mortes e calamidades.

Na votação realizada há pouco, no Senado, da liberação de recursos para a produção de vacinas contra a covid-19, o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) criticou duramente o cronograma de imunização anunciado ontem pelo ministro da Saúde, Eduardo Pazuello.

“No momento em que se escolhe deliberadamente iniciar o processo de vacinação apenas em março, nós estamos falando potencialmente de quase 60 mil mortes a mais, considerados os números que nós temos hoje de mortes diárias”[…] “É uma escolha política que mata as pessoas”

Alessandro Vieira (Cidadania-SE)

Vieira, ainda ressaltou que o Congresso está garantindo recursos e fazendo alterações legislativas para ajudar o governo.

“Infelizmente, se percebe com clareza cristalina que as escolhas políticas do governo são negativas para a saúde dos brasileiros”, alerta. “Isso é altamente reprovável, e digo mais: terá certamente consequências para o cidadão que sofre e para os políticos que irresponsavelmente escolhem politizar uma vacina e não atender bem ao cidadão”.

Vacinação no Reino Unido

O Reino Unido anunciou na quarta-feira (02/11) que o imunizante BNT162b2, desenvolvido pelas farmacêuticas Pfizer e BioNtech, está liberado para uso no país e começará a ser aplicado nos cidadãos de lá a partir da semana que vem.

senado aprova orçamento vacina
PHOTONEWS/GETTY IMAGES

E o Brasil? Será que temos alguma perspectiva do uso deste produto em nosso país? Pelas informações divulgadas até o momento, não existe nenhuma definição e há o risco de ficarmos sem acesso a ele.

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Vacinação nos Estados Unidos

Os Estados Unidos vive um grande aumento diário de casos de Covid e a situação só vem piorando com o passar dos dias, são recordes nos números de mortes diárias e infectados.

De acordo com dados divulgados pela Universidade Johns Hopkins, os Estados Unidos tiveram hoje o recorde de 3.157 novas mortes em decorrência do coronavírus em um dia, superando o próprio recorde anterior de 2.603 mortes em 15 de abril. Ontem, o país teve pela primeira vez mais de 100 mil pessoas internadas com covid-19.

O presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, afirmou hoje em publicação no Twitter que, assim que for aprovada, a vacina contra contra a covid-19 será distribuída para a população americana de forma igualitária e sem custos.

Os primeiros lotes da vacina da Pfizer devem chegar no país dia 15 de dezembro e, se forem aprovados, cerca de 22 milhões de doses devem ser distribuídas. Já os imunizantes da Moderna devem estar disponíveis a partir do dia 22 deste mês.

O Brasil segue seu cortejo de mortos, liderado por um inconsequente e incompetente presidente.

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