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Reabertura precipitada, vida banalizada.

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A reabertura da economia em meio à Pandemia gera muita dúvida na cabeça da população. Será que estamos seguros para voltar às atividades rotineiras ou estamos nos precipitando, aceitando pressão de setores econômicos e políticos e banalizando a vida?

O Brasil hoje, 19/07 possui a triste marca das quase 80 mil mortes causadas pela Pandemia do Coronavírus. São exatamente 79 mil mortos. Somos o segundo país com mais casos de mortes no mundo, e já somamos mais de 2 milhões de infectados, ocupando a vice colocação no ranking mundial da Covid, atrás apenas de Estados Unidos.

Foram exatos quatro meses para atingirmos o número de 1 milhão de infectados pelo novo coronavírus e apenas vinte e quatro dias para dobrarmos esse número – levando em conta a gigante subnotificação.

A velocidade com que a Pandemia cresce é paralela a velocidade com que a reabertura da economia ocorre e com que as pessoas relaxam as medidas protetivas, sejam por motivos psicológicos ou motivos políticos. O fator psicológico gera a falsa sensação de que o pior já passou.

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Não podemos normalizar o anormal.

Em meio ao Caos na saúde publica, os setores econômicos forçaram a reabertura de maneira atabalhoada. O processo segundo especialistas foi precipitado, visto a crescente nos números de casos e no processo de interiorização do vírus no país.

O vírus não tomou conhecimento e assolou as metrópoles com melhores estruturas hospitalares no mundo e no Brasil, e agora o vírus se encaminha para as pequenas cidades e lugares afastados. O fenômeno era motivo de preocupação de diversos especialistas.

Estamos no meio do processo de interiorização do vírus, e após as capitais sofrerem com o vírus por serem grandes centros populacionais, por falta de políticas de isolamento firmes e mais eficazes o vírus se interioriza e gera preocupação para especialistas.

O rápido avanço para o interior, apontam os pesquisadores da Fiocruz, esbarra nas más condições das redes de saúde dessas cidades. Embora as cidades pequenas até consigam ter uma taxa de médicos por 10 mil habitantes similar a dos municípios maiores, faltam leitos de UTI e respiradores.

É insano afrouxar medidas de isolamento e realizar a reabertura de atividades não essenciais em momento de interiorização do vírus em um país que existe tanta desigualdade. Para expor a desigualdade, considerando um parâmetro recomendado de oito profissionais médicos para cada 10 mil habitantes, existem áreas do interior da Bahia, Pará, Maranhão, norte do Mato Grosso, sul de Rondônia e oeste do Acre e Amazonas abaixo desse indicador.

Mesmo para as áreas que o número de médicos se encaixa no parâmetro recomendado, os leitos de UTI não são suficientes e os insumos não chegam com a velocidade necessária. As regiões sem disponibilidade de leitos de UTI ocorrem de forma mais frequente nas regiões Norte, Centro-Oeste, Nordeste, e oeste da região Sul do país.

Não era hora para reabrir e flexibilizar o que já era frouxo.

Por falta de um plano de contingencia nacional, por falta de gestão de crise federal e demora nas ações sanitárias, conflitos nas mensagens transmitidas pelos governantes, pressão empresarial e aversão de setores econômicos ao distanciamento social; as grandes metrópoles não realizaram um plano eficaz para fechar suas fronteiras, não implementaram o Lockdown como deveriam ter feito – seguindo exemplo de países que obtiveram uma liderança coesa no combate ao vírus – e sofreram mortes que seriam evitadas com as medidas corretas.

No Brasil são meses de sinais trocados por partes governamentais. Vivemos em um período em que as pessoas começam a baixar a guarda pela exaustão e por não acreditar que a doença seja séria. Esse processo gera a banalização do vírus e da vida.

É falsa a sensação de que o vírus perdeu força

Quem vive em São Paulo e nas demais metrópoles que foram atingidas de pronto pelo novo coronavírus têm a sensação de que o pior já passou, já que a reabertura vem ocorrendo de forma rápida, mas essa sensação é falsa e muito perigosa. O Brasil é continental e mal estruturado.

Embora o coronavírus tenha se disseminado inicialmente nas grandes metrópoles, conectadas sobretudo por linhas aéreas nacionais e internacionais, o vírus alcançou outro patamar para chegar aos municípios de menor porte.

Seja por via rodoviária ou fluvial, a Covid-19 se alastrou rapidamente em regiões que não possuem recursos de saúde suficientes para fazer frente à epidemia.

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Os municípios do Brasil não funcionam de forma isolada, existe uma rede de conexões de oferta de bens e serviços entre as cidades, que se conectam a partir de estradas, hidrovias e ferrovias e desta maneira permite o deslocamento das populações através dessas redes em busca de serviços hospitalares especializados, bens e mercadorias

A equipe da Fiocruz sobre os deslocamentos da população para cidades em busca de serviços de saúde.

De acordo com os números do Consórcio de veículos de imprensa a partir de dados das secretarias estaduais de saúde, os números só crescem no país e no total, oito estados mais o DF apresentaram alta de mortes: PR, RS, SC, MG, GO, MS, TO e PB.

vidas banalizadas

Os levantamentos de novas mortes tem variado nas últimas duas semanas e apenas 5 estados estão com queda nos números. Essa comparação leva em conta a média de mortes nos últimos 7 dias em relação à média registrada duas semanas atrás:

  • Subindo: PR, RS, SC, MG, DF, GO, MS, TO e PB
  • Em estabilidade: ES, SP, MT, AC, AP, PA, AL, BA, MA, PE e SE
  • Em queda: AM, RR, CE, RN e RJ

Relaxamento nas medidas de segurança

Enquanto a população relaxa medidas de segurança, e realizam a reabertura de comércios, médicos alertam que máscara e distanciamento continuam necessários.

Desde que entraram nas fases de flexibilização e reaberturas — em meio à pandemia do novo coronavírus —, o que tem se visto no Rio e em Sã Paulo são ruas mais cheias, shoppings abertos, orlas agitadas, bares cheios, além de parques e ciclovias com muita gente fazendo exercício.

Com a liberação de novos espaços, como bares, restaurantes, atividades na praia e academias, a população vai relaxando as medidas de segurança. Aumentou o número de pessoas sem máscaras, se cumprimentando, conversando de perto e esquecendo do álcool 70% nos espaços públicos.

Infectologistas e pneumologistas reforçam a total necessidade de se usar a máscara, álcool, manter o distanciamento social e evitar sair de casa. Essas medidas devem ser reforçadas e não afrouxadas.

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Em entrevista para a Gazeta do povo, o médico e professor da UERJ Mario Roberto Dal Poz destaca que o principal erro que ele tem visto é o de usar a máscara no queixo, além de frisar que a melhor maneira de se proteger é manter o distanciamento social de dois metros.

O que pensa o Jornal

A crise do novo coronavírus é agravada pelo presidente da república e suas falsas informações e péssimos exemplos. Disso não é plausível e racional qualquer discordância. Está claro que seus interesses pessoais e eleitorais impediram uma articulação nacional, que daria uma resposta muito mais eficiente ao problema do novo coronavírus.

A forma como vem conduzindo o processo na pandemia ajudou a dizimar vidas e destruir empregos. Bolsonaro e seu negacionismo alongou a vigência da crise por aqui, e isso vai atrasar a retomada da economia e a geração de postos de trabalho – como fora alertado há meses pelo Jornal Analítico e diversos especialistas

O presidente vem aumentando seus discursos de “isentão”

Sábado (18), o presidente lançou a frase “vão querer botar a culpa em mim?” jogando a culpa da crise em prefeitos e governadores. Também soltou a seguinte frase na live desta quinta feira (16): “Eu podia ficar quieto, afinal de contas o STF disse que quem decide tudo nessa área são Estados e municípios, e ponto final”.

Tenho que combater essa desinformação do presidente. Essa história do STF é mentira, e assim como seus meios de comunicação fazem, o presidente dispara Fake news por aí, levando desinformação de maneira intencional.

Ele desinforma e mente para justificar sua incompetência, ignorância e sua omissão. Seria mais bonito pedir para sair, já que não tem capacidade para exercer tamanho fardo.

Vamos ver a decisão do STF que afirmou que governadores e prefeitos podem participar da formulação de políticas no âmbito e não como diz o presidente que afirmou que caberia apenas aos poderes estaduais e municipais tais decisões.

Competência concorrente e suplementar

Segundo o ministro Alexandre de Moraes, a Constituição Federal (incisos II e IX do artigo 23) consagra a existência de competência administrativa comum entre União, Estados, Distrito Federal e municípios em relação à saúde e assistência pública, inclusive quanto à organização do abastecimento alimentar. O texto constitucional (inciso XII do artigo 24) também prevê competência concorrente entre União e Estados/Distrito Federal para legislar sobre proteção e defesa da saúde, permitindo, ainda, aos municípios possibilidade de suplementar a legislação federal e a estadual, desde que haja interesse local (inciso II, artigo 30).

O STF, por entendimento unanime, concordou com a decisão do ministro Alexandre de Moraes de que não compete ao Poder Executivo federal afastar, unilateralmente, as decisões dos governos estaduais, distrital e municipais que, no exercício de suas competências constitucionais e no âmbito de seus territórios, adotaram ou venham a adotar importantes medidas restritivas que são reconhecidamente eficazes para a redução do número de infectados e de óbitos, como demonstram a recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS) e vários estudos técnicos científicos.

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