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O 11 de setembro que mudou o mundo

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Há 20 anos, o 11 de Setembro que mudou o mundo foi um marco na guerra contra o terrorismo ao redor do mundo.

Em 11 de Setembro de 2001 dava-se início à guerra ao terrorismo, trajada de extremismo religioso e pautas anti culturais ocidentais. Com um total de 2.996 mortes, o 11 de setembro foi e é o maior atentado em solo americano da história — e suas consequências são sentidas até hoje.

A tragédia que atingiu o centro econômico, cultural e político dos Estados Unidos deixou mais que vítimas diretas, deixou cicatrizes jamais curadas. Além das crises políticas que nunca tiveram um ponto final no oriente médio, o medo nunca mais deixou de existir na vida dos americanos.

O atentado terrorista planejado pela Al Qaeda não teve início no fatídico dia. A Al-Qaeda é um grupo – na época liderado por Bin Laden – com sede no Afeganistão, país governado pelo Talebã.

O atentado fora elaborado e planejado cinco anos antes. Um dos membros da Al Qaeda, o paquistanês Khalid Sheikh Mohammed levantou a possibilidade de treinar pilotos para sequestrar aviões e usá-los como armas, jogando-os contra edifícios de importância real e simbólica.

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Embora o plano não fora de sua autoria, a aprovação partiu do próprio líder da Al-Qaeda, um multimilionário saudita que começava a aparecer no radar das agências de inteligência americanas, e que mais tarde se tornaria o homem mais procurado do mundo: Osama Bin Laden.

O plano dos terroristas foi posto em prática e 4 aviões foram sequestrados naquela manhã de 11 de Setembro. Dois deles se chocaram contra as torres gêmeas do World Trade Center em Nova York causando 2.763 mortes. O terceiro avião se chocou contra o Pentágono deixando 189 mortos. O quarto e último avião caiu em um campo em Shanksville, na Pensilvânia, ceifando 44 vidas.

Das vítimas fatais, 343 eram bombeiros que morreram durante a exaustiva e extenuante tentativa de retirar as pessoas de ambos os prédios de Nova York. Além disso, durante os ataques e durante os meses de limpeza e reconstrução, cerca de 400 mil pessoas foram expostas a toxinas, lesões e danos emocionais que causaram doenças crônicas e até a morte de milhares delas, segundo dados dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças nos EUA.

Ali, iniciava-se uma guerra de 20 anos que perdura até hoje, com uma narrativa diferente.

Vinte anos atrás, os Estados Unidos juraram “caçar” os responsáveis pela morte de quase 3.000 cidadãos em seu próprio território. Naquele momento, os alvos eram o grupo extremista Al Qaeda, comandado por Osama Bin Laden, que operara os aviões usados no episódio e o governo do Talebã, no Afeganistão, que dera guarida para os combatentes da Al Qaeda. Era o início da guerra mais longa da história americana.

Na época o então presidente americano George W. Bush iniciou uma resposta dura contra os grupos terroristas e os grupos políticos que davam esconderijo aos mesmos. Os USA lançaram em território Afegão suas tropas e tomaram as decisões políticas e governamentais da região durante o longo período de tempo que foi de Bush, Obama e Trump à Joe Biden.

Para muitos, a tomada do poder no Oriente Médio – que vem antes do ataque às Torres Gêmeas, com a invasão do Iraque por parte dos USA- criou uma geração de ódio contra o ocidente e deixou uma lacuna de poder nos países invadidos. Imediatamente vimos o crescimento de insurgências multifacetadas no Iraque e em países da região que tentavam resistir à invasão ocidental.

Tudo está conectado. Com a saída dos USA do Iraque em sua primeira invasão, surgiram novos grupos terroristas dentre eles a Al-Qaeda e uma década depois, o surgimento de algo muito diferente e novo, e ainda mais temível do que a Al Qaeda, o Estado Islâmico. O surgimento do Estado Islâmico fez com que os USA retornassem ao território Iraquiano e mais tarde entrassem na Síria numa tentativa de pressionar o ISIS.

O Estado Islâmico foi responsável por ataques na Europa, e inspiração para uma série de extremistas nos Estados Unidos, criando a modalidade do terrorismo doméstico.

Os erros cometidos na invasão do Iraque foi repetido na invasão do Afeganistão. O governo americano não se importou com as diferenças culturais do país e tentou impor uma democracia ocidental em um país com composição complexa de diferentes religiões, etnias e elementos tribais, além da forma como essas lealdades funcionam localmente e de a identidade nacional ser quase a última coisa com que as pessoas se importam.

Após 20 anos de invasão americana no Afeganistão ocorre o acordo traçado pelo ex-presidente dos USA, Donald Trump, para a retirada das tropas americanas do Afeganistão. E Joe Biden, atual presidente em exercício executa a retirada – retirada caótica e repleta de falhas. Agora, com a ascensão meteórica do mesmo Talebã de volta ao poder no Afeganistão, a história parece prestes a produzir mais uma reviravolta: EUA e Talebã se tornariam aliados no combate a grupos extremistas como a Al Qaeda e o Estado Islâmico.

Um cenário inimaginável há 20 anos, quando o Exército americano lançava sua mais pesada artilharia para abater o governo Talebã.

Hoje, já podemos dizer que a Guerra ao Terror foi uma guerra repleta de falhas e que gerou mais terror. Além de propiciar o surgimento de novos grupos terroristas como o Estado Islâmico, a guerra gerou um outro tipo de terrorismo, o terrorismo domestico.

As guerras no Iraque e no Afeganistão são claros exemplos de eventos que não saíram da maneira que as lideranças políticas em Washington e talvez em outros países do Ocidente, planejaram. Em uma perspectiva política, muitos erros foram cometidos e que tiveram impacto no mundo real e causaram enorme sofrimento humano. Crises humanitárias, refugiados, terrorismo doméstico e muitas outras consequências.

Historicamente, vinte anos não é um período longo, talvez daqui a 20 ou 30 anos, quando os livros de história contarem sobre as invasões no Iraque e no Afeganistão, não serão nada gentis com as decisões tomadas durante o período.

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Os USA foi apenas mais uma potência que tentou “civilizar” nos padrões ocidentais uma região que já resistiu e derrubou diversas tentativas de colonização.

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