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Nise Yamaguchi presta depoimento constrangedor na CPI

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Nise Yamaguchi, médica defensora da cloroquina citada por grupos de Whastapp e governistas na defesa do tratamento precoce, presta depoimento na CPI e gera constrangimento até pra que não é bolsonarista; depoimento foi tido como vexatório e humilhante.

Primeira depoente a falar à CPI da Covid na condição de convidada, a médica Nise Yamaguchi prestou seu depoimento nesta terça (01). Em seu depoimento repleto de contradições, a médica demonstrou não conhecer nada sobre infectologia e quando questionada sobre o gabinete paralelo que assessora o presidente, negou a existência do tal, porém documento entregue pela depoente comprova a existência.

Yamaguchi é uma das principais defensoras do tratamento precoce e do uso da cloroquina, remédio ineficaz para o combate ao coronavírus. Ela foi convidada para falar à CPI a fim de dar explicações sobre a existência do chamado “gabinete paralelo” o que teria definido diretrizes sobre a pandemia, à margem das regras científicas e das recomendações oficiais do Ministério da Saúde.

Senadores apuram se existe um grupo de conselheiros informais do governo e se a médica é uma das integrantes dele. Ela negou qualquer participação.

“Eu desconheço um gabinete paralelo e muito menos que eu integre qualquer gabinete paralelo. Sou uma colaboradora eventual”, afirmou.

Nise Yamaguchi, em depoimento para CPI da Covid.

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Nise comprova a existência de um gabinete paralelo

Apesar de ter negado o tal gabinete, Nise Yamaguchi acabou entregando à CPI da Covid um documento que comprova a existência do gabinete paralelo de assessoramento ao presidente da República no combate à pandemia da Covid-19.

É a minuta de um decreto a ser assinado pelo presidente Jair Bolsonaro que determinava a distribuição de cloroquina, hidroxicloroquina e azitromicina a toda a rede pública de Saúde para o tratamento da Covid-19. 

A minuta está na troca de mensagens por WhatsApp com Luciano Dias de Azevedo, outro dos médicos apontados como participante do gabinete paralelo, que Nise registrou em uma ata notarial no último dia 13 de maio – dois dias depois do depoimento do presidente da Anvisa, o almirante Antônio Barra Torres.

A ata notarial é um documento que visa provar a autenticidade das mensagens, certificada por um cartório.

Em depoimento prestado na CPI, o almirante Antônio Barra Torres afirmou ter participado de uma reunião no Palácio do Planalto em que havia na mesa “um papel não timbrado de um decreto presidencial para que fosse sugerido que se mudasse a bula da cloroquina na Anvisa”. 

Hoje, Nise negou a versão de Barra Torres e, para provar o que dizia, entregou a tal ata incluindo o texto do decreto, enviado a ela por Luciano Azevedo. Um tiro no pé.

Mas nas mensagens, com data de 6 de abril de 2020, os dois discutem a minuta de um decreto em que o presidente da República manda “disponiblizar o medicamento Difosfato de cloroquina 250mg, Sulfato de hidroxicloroquina cápsula 400 mg e azitromicina 500 mg a toda rede de saúde”. 

Depois de receber o texto, Nise responde: “Oi Luciano, este decreto não pode ser feito assim, porque não é assim que regulamenta a pesquisa clínica. Tem normas próprias. Exporia muito o presidente”. 

Ao tentar desconstruir a versão de Mandetta e Barra Torres, ela acabou confirmando seus relatos. Além disso, ao tentar provar que o decreto não dizia respeito à bula, ela acabou por produzir um documento demonstrando que ela e Luciano Azevedo não apenas se reuniam com o presidente da República no Palácio do Planalto, como também discutiam a edição e a redação de minutas de decretos presidenciais.

Mentiras e mais mentiras…

Questionada se manteve conversas com Jair Bolsonaro para tratar de assuntos relacionados a pandemia, Yamaguchi negou. À CPI, Yamaguchi contou que, durante a pandemia, manteve “quatro ou cinco” reuniões com o presidente Jair Bolsonaro. A afirmação de que manteve poucas conversas com o presidente foi questionada pelos senadores.

“Ela já afirmou aqui que mal falava com o presidente da República, que nunca esteve com ele sozinho. Em junho de 2020, foi publicado um vídeo em que anuncia publicamente as seguintes palavras: ‘Mandei mensagem para ele [o presidente]. Ele não precisava me sondar para ser ministra. Ele me conhece, e a gente se fala o tempo todo’”, afirmou o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE).

Confira algumas mentiras ditas por Nise Yamaguchi

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“Eu nunca tive encontros privados com o presidente Bolsonaro”

Nise Yamaguchi

De acordo com a agenda do presidente da República, a médica Nise Yamaguchi esteve em um encontro particular com Jair Bolsonaro em 15 de maio de 2020, às 10h45. O registro só foi colocado oficialmente na agenda após o encontro ter ocorrido. Há, inclusive, imagens dela deixando o Palácio do Planalto no dia. Logo depois, o então ministro Nelson Teich se reuniu com o presidente e sua demissão foi anunciada.

Em entrevista à revista “Veja”, Nise Yamaguchi falou da relação que tem com Jair Bolsonaro. “Ele não precisa sondar, ele já me conhece, a gente conversa direto.”

Além do encontro privado com o presidente em maio do ano passado, a médica ainda esteve outras três vezes em reuniões oficiais no Palácio do Planalto. A primeira foi no dia 6 de abril com Braga Netto, ministro da Casa Civil, Ernesto Araújo, ministro das Relações Exteriores, Jorge Antonio de Oliveira, secretário-geral da Presidência da República, Luiz Eduardo Ramos, secretário de Governo da Presidência da República, Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança Institucional, deputado Osmar Terra (MDB-RS) e o médico Luciano Dias Azevedo.

No dia seguinte (7 de abril), houve outra reunião de Bolsonaro com a participação da médica junto com o secretário de governo, Luiz Eduardo Ramos, e o deputado Vitor Hugo (PSL-GO), líder do Governo na Câmara dos Deputados.

O último encontro com o presidente da República foi em 21 de maio, juntamente com o então prefeito do Rio de Janeiro Marcelo Crivella, o secretário-executivo substituto do Ministério da Saúde, Antonio Elcio Franco Filho, e o secretário de Governo, Luiz Eduardo Ramos

“No Amapá, nós temos um dos menores índices do mundo de mortalidade”

Nise Yamaguchi

O Amapá não tem nem sequer um dos menores índices de mortalidade do Brasil. O cálculo, que considera o número de mortes sobre o total da população, coloca o estado na 12ª colocação entre as unidades da federação. A taxa atual é de 200,5 mortes a cada 100 mil habitantes. O estado com a menor taxa é o Maranhão, com 115,1. Caso o Amapá fosse um país, ia figurar hoje na 15ª colocação mundial, segundo dados da universidade Johns Hopkins, que reúne informações sobre 180 países e territórios.

Mesmo que a médica estivesse se referindo à taxa de letalidade (ou seja, o número de mortes sobre o total de casos), a afirmação não se sustenta. Ao menos 78 países têm uma taxa menor levando em conta esse parâmetro. Tal cálculo, entretanto, não é o ideal para medir a mortandade, já que a subnotificação e a falta de testagem podem subdimensionar o resultado.

“Que ainda utiliza a hidroxicloroquina? Utiliza, por exemplo, nas prerrogativas. Aqui, nós temos o México”

Nise Yamaguchi

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O governo do México não utiliza o medicamento no combate à Covid-19 desde agosto do ano passado. As autoridades cancelaram todas as recomendações para uso de hidroxicloroquina depois de quatro meses, quase um ano atrás.

Em abril de 2020, o governo mexicano publicou um documento que listava quais medicamentos sem comprovação de eficácia estavam sendo usados no tratamento da Covid, entre eles a cloroquina e a hidroxicloroquina.

No mês seguinte, outro comunicado do governo do México afirmava que, até aquele momento, “estudos observacionais ou ensaios clínicos para avaliar a eficácia da hidroxicloroquina com ou sem azitromicina, cloroquina e lopinavir/ritonavir, não demonstraram eficácia e segurança significativas”.

Em agosto, todas as recomendações foram revogadas. E o remédio passou a não ser mais indicado/utilizado.

A doutora mentiu tanto em seu depoimento que durante a audiência, senadores chegaram a ameaçar encerrar a sessão e apresentar um pedido de convocação da médica, de modo que ela prestasse novo depoimento no qual estaria formalmente obrigada a dizer a verdade.

Ao final da reunião, porém, o presidente da CPI disse não ser necessária novo depoimento da médica.

Médica Bolsonarista passou vergonha, não atoa.

Imunologista e oncologista, Yamaguchi é uma das principais defensoras do tratamento precoce e do uso da cloroquina para o combate à Covid. A cloroquina é tradicionalmente usada para o tratamento da malária, doença provocada por um protozoário, e já se comprovou ineficaz para a Covid-19.

 A médica Nise Yamaguchi foi questionada pelo senador Otto Alencar (PSD-BA), que é ortopedista, sobre a diferença entre um protozoário e um vírus.

“Até porque a senhora deve saber a diferença entre um protozoário e um vírus. A senhora sabe? Qual é a diferença, doutora? Doutora Nise, estou perguntando para a senhora”, questionou Otto Alencar.

Enquanto Alencar insistia na pergunta, Nise Yamaguchi folheava papeis que levou à comissão. O advogado da médica interveio. “Pela ordem o quê? É só a diferença entre um protozoário e um vírus”, afirmou o presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM).

Após o senador reforçar novamente a pergunta, Nise Yamaguchi respondeu: “Protozoários são organismos celulares, e os vírus são organismos que têm o conteúdo de DNA ou RNA”, respondeu.

“Não senhora, não senhora, tenha paciência. Não é bem assim. A senhora não é infectologista, se transformou de uma hora para outra, como muitos no Brasil, se transformaram em infectologista, e não é assim”, disse Otto Alencar.

“A senhora não soube explicar o que é o vírus. Vírus não são nem considerados seres vivos. Portanto, uma medicação para protozoário nunca cabe para vírus”, acrescentou.

Na sequência, o senador perguntou a Yamaguchi se ela sabia a que grupo pertence o Covid-19. “Ao coronaviridae. Ele é um coronavírus”, respondeu.

“A senhora não sabe, infelizmente. A senhora não sabe nada de infectologia. Nem estudou, doutora”, afirmou Otto Alencar.

O senador também perguntou à médica detalhes sobre o primeiro caso de coronavírus no mundo.

“Diga o número, diga o ano. Pode pegar os livros aí porque a senhora não tem na cabeça, certamente. Não leu, não estudou. E, doutora, de médico audiovisual, este plenário está cansado. De alguém que ouviu e viu, e não leu, e não se aprofundou, e não tem estudado”, disse Otto Alencar.

Enquanto o senador discursava, a médica tentava usar a palavra: “Agora, o senhor me dá licença? Eu preciso responder a uma série de acusações que o senhor me fez”.

“Eu não queria constranger a senhora, mas a senhora não sabe responder a absolutamente nada”, disse Otto Alencar.

“Eu fiz um testezinho simples com ela. Qualquer menino de segundo ano, terceiro ano. Eu fui professor de química por muitos anos, de biologia. Isso é ‘bê-a-bá’”, disse.

Pouco depois, Nise Yamaguchi foi questionada por Alessandro Vieira (Cidadania – SE) sobre quais pesquisas sérias poderia citar para embasar sua defesa da cloroquina e da ivermectina como tratamento da covid.

Ela mencionou apenas um estudo da Henry Ford Foundation. Vieira corrigiu: a tal pesquisa foi interrompida em dezembro do ano passado por não encontrar evidências suficientes. “Não foi essa a informação que eu tive”, alegou a médica.

Saldo final muito negativo para o governo e seus já poucos e mal informados defensores

Como saldo, Nise Yamaguchi entrou hoje no Senado como grande especialista e saiu como mera palpiteira em assuntos sobre os quais não entende.

Hoje, os bolsonaristas perderam sua grande porta-voz do tratamento precoce.

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