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Milton Ribeiro cita pedido de Bolsonaro para favorecer pastores

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Em áudio, Ministro da educação, Milton Ribeiro cita pedido de Bolsonaro para favorecer pastores com verba pública.

Áudios revelados nesta segunda-feira (21), pelo jornal Folha de S. Paulo mostram o ministro da Educação, Milton Ribeiro, afirmando que o governo federal prioriza prefeituras ligadas a dois pastores sem cargos na pasta, que atuam em um esquema informal de obtenção de verbas do MEC. De acordo com o ministro, esse é um pedido de Bolsonaro.

Áudio escancara esquema de repasse de verba pública do Ministério da Educação. Religiosos estariam à frente de um gabinete paralelo que define prioridades para os recursos do ministério.

— Porque a minha prioridade é atender primeiro os municípios que mais precisam e, em segundo, atender a todos os que são amigos do pastor Gilmar. […] Por que ele? Porque foi um pedido especial que o presidente da República fez para mim sobre a questão do Gilmar.

Milton Ribeiro, Ministro da Educação

No áudio, Ribeiro diz que atende a pedidos do pastor Gilmar dos Santos e do pastor Arilton Moura para liberar verbas para prefeituras, por orientação do presidente Jair Bolsonaro. Os dois negociariam, desde 2021, benefícios para municípios cujos prefeitos são ligados à igreja Assembléia de Deus. Embora exibam tanto poder na pasta, Gilmar e Arilton não têm cargo no ministério.

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Esses dois pastores, que não têm cargo no governo federal e não ocupam função pública, estariam legitimados pelo presidente Bolsonaro como interlocutores de prefeitos junto ao gabinete do ministro da Educação, que também é chefiado por um pastor.

O jornal Estado de São Paulo revelou hoje que pastores ligados ao gabinete paralelo no MEC conseguiram pagamentos e reservas de valores — chamados de empenhos — estimados em R$ 9,7 milhões em tempo recorde de poucos dias ou semanas depois de realizarem agenda com a pasta.

Diversos parlamentares acionaram hoje órgãos de controle público após as recentes denúncias envolvendo a gestão de Milton Ribeiro no MEC.

Deputados protocolaram no STF (Supremo Tribunal Federal) uma notícia crime contra o presidente Jair Bolsonaro (PL) e Ribeiro.

Outro grupo de parlamentares acionou a PGR (Procuradoria Geral da República). Na representação protocolada, os deputados alegam improbidade administrativa por parte do Ministro da Educação.

A bancada do PSOL na Câmara foi ao TCU (Tribunal de Contas da União) e ao MPF (Ministério Público Federal) contra Bolsonaro, Ribeiro e pastores envolvidas em denúncias dos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de São Paulo.

O que pensa o jornal

Não é de hoje que o governo de Jair Bolsonaro foi transformado num espaço onde não há debate do interesse público. Debate do interesse público nunca foi mérito deste governo que atua para benefício próprio e eleitoral.

O governo federal se tornou espaço para debates de partilha de orçamentos governamentais entre os apoiadores e amigos do presidente da República, além de espaço para debates ideológicos que não condizem com a realidade do país e recorrentes interferências políticas em órgãos investigativos que tem em mãos denúncias e processos contra o presidente e seus familiares.

O episódio revelado pela reportagem da Folha de S. Paulo é apenas mais um em meio a tantos outros. Foi no governo Bolsonaro que surgiram os novos orçamentos secretos e gabinetes paralelos que decidem partilhas de verba e tomam decisões para beneficiar seus apoiadores e seus nichos.

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