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Joe Biden x Donald Trump

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Com Joe Biden eleito presidente dos EUA, o que muda no cenário mundial? Entenda as consequências das eleições americanas para o mundo e para o Brasil.

O candidato democrata Joe Biden caminha para a vitória nas eleições americanas. Com a reta final das apurações, Biden já é o candidato mais bem votado da história dos Estados Unidos, seguido de Donald Trump.

A comunidade internacional reage bem a vitória do democrata. Mercados financeiros já estão operando em alta e os ventos parecem mudar para o cenário político mundial.

Uma vitória de Joe Biden favorece principalmente as economias emergentes, o que inclui o Brasil, pois com uma política multilateral (diferente do protecionismo de Donald Trump), as alíquotas e taxas comerciais tendem a diminuir, melhorando o ambiente econômico e favorecendo empresas que querem exportar e criar laços comerciais com outras economias.

A ideia de Joe Biden é privilegiar o multilateralismo, o diálogo entre os países, e valorizar as instituições internacionais, como as Nações Unidas, a comissão de direitos humanos da própria ONU, a Organização Mundial de Saúde (OMS) e a Organização Mundial de Comércio (OMC), entre outras.

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Joe Biden
Joe Biden / Foto: Reprodução/YouTube

O candidato democrata possui uma certa tendência progressista, que passa por politicas ambientais mais sérias e efetivas, o que é bom para todo o planeta, claro.

– os investidores estão muito preocupados com legislações ambientais e prezam por práticas sustentáveis. Essa preocupação já causou durante o governo Bolsonaro a maior fuga de capitais da história do Brasil –

Para o governo de Bolsonaro, a vitória de Joe Biden e sua agenda progressista será um problemão. A falta de políticas de preservação ambiental e o contínuo aumento no desmonte das legislações ambientais, aliadas a ideologia de Bolsonaro serão um enorme encalço na relação.

Desde que chegou ao poder, o presidente e suas equipes ministeriais não escondem a admiração platônica – e quase sempre não correspondida – a Donald Trump e qualquer tema associado a ele. 

Para o Brasil (unidade, nação, país), cobrar medidas ambientais é ótimo! Pois, preservar o meio ambiente e criar políticas sustentáveis deveria ser obrigação e preocupação de qualquer governo que se preze.

A vitória de Biden é uma notícia ruim para Bolsonaro, mas algo muito positivo para o Brasil.

Sem as amarras das bobagens ideológicas, o grupelho bolsonarista terá de focar no que realmente importa do ponto de vista econômico, coisa que não acontece.

O fim da ligação de Bolsonaro com Trump fará com que o governo altere planos para economia, meio ambiente, política externa e até na pauta de costumes. 

O presidente, também terá de baixar o tom nos discursos em defesa de torturadores durante a Ditadura Militar.

Vale lembrar que durante a gestão de Barack Obama, em junho de 2014, o próprio Joe Biden, então vice-presidente, desembarcou em Brasília com um HD contendo 43 documentos produzidos por autoridades americanas entre 1967 e 1977.

A partir de informações passadas por vítimas, informantes das Forças Armadas e dos serviços de repressão, os relatórios americanos – cuja inteligência militar deu suporte ao governo brasileiro de então – detalhavam informações sobre censura, tortura e assassinatos cometidos pelos militares do Brasil, incluindo o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, torturador considerado um “herói nacional” por Bolsonaro (e apenas por ele).

Biden sinaliza que ele pode ser mais rigoroso em relação ao cumprimento das regras, que vão desde questões de liberdade econômica, de imprensa, até meio ambiente e direitos trabalhistas.

Amigos, amigos; negócios a parte.

Bolsonaro muito deu a seu ídolo Donald Trump que muito pouco devolveu ao Brasil. A relação não era saudável para nós, pois Trump pouco fazia pelo Brasil, ou quase nada. As trocas quase não ocorriam e o país não teve nenhuma vantagem econômica com essa ligação. Foram apenas promessas que não se concretizaram, o governo Trump fez pouquíssimas concessões.

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Veja os fracassos da relação Bolsonaro x Trump:

  • Políticas de visto e imigração.

Enquanto Bolsonaro extinguiu a necessidade de visto para turistas americanos entrarem no Brasil, Trump não fez o mesmo, nem anunciou qualquer mudança sobre as ações contra imigrantes brasileiros que estejam de maneira clandestina nos Estados Unidos. Pelo contrário: aviões fretados pelo governo brasileiro trouxeram centenas de imigrantes de volta ao país.

  • Acordos comerciais

Apesar das trocas públicas de afago entre Bolsonaro e Trump, com direito a um “I Love You” do brasileiro em um encontro em Washington em setembro de 2019, o comércio bilateral entre os dois países atingiu o pior patamar em 11 anos em 2020.

Joe Biden x Donald Trump
Foto: Alan Santos/PR – episódio “I love you”

As trocas comerciais foram de US$ 33,4 bilhões de janeiro a setembro, queda de 25,1% em comparação com o mesmo período de 2019. O saldo negativo de US$ 3,1 bilhões para o Brasil foi o pior dos últimos seis anos.

  • OCDE

Em 2019, o governo Bolsonaro fez uma série de concessões em troca do apoio dos Estados Unidos à entrada do Brasil na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Porém, até hoje NADA. Ainda não se sabe quando o Brasil vai entrar definitivamente na entidade, pois existe a dependência do apoio de outros membros do grupo.

Entre as concessões feitas por Bolsonaro para entrar na OCDE, houve uma com grande impacto econômico: a renúncia do Brasil ao tratamento diferenciado, como país em desenvolvimento, nas negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC). O Brasil era líder dos países em desenvolvimento e era sempre uma voz a ser ouvida, o que não ocorre mais.

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  • Exportação de aço e alumínio

No setor de siderurgia, Donald Trump também não favoreceu o Brasil. Nos últimos dois anos, Trump ameaçou sobretaxar o aço e alumínio do Brasil, prejudicando os exportadores brasileiros e favorecendo a produção local.

Em agosto deste ano, já em campanha pela reeleição, Trump reduziu a cota de exportações do aço semi-acabado do Brasil. O governo brasileiro não criticou a medida.

Nas redes sociais, o presidente ainda acusou o governo Bolsonaro de desvalorizar o real de propósito para colher mais lucros com as exportações da matéria-prima – quem dera o real tivesse sido desvalorizado propositalmente e não por incompetência.

  • Etanol

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou impor tarifas a produtos brasileiros – sem especificar quais – se o governo de Jair Bolsonaro não reduzisse as tarifas impostas pelo Brasil ao etanol importado dos EUA. Bolsonaro, sem pedir contrapartida, estendeu à isenção a compra de combustível dos EUA e colocou em dificuldades o agricultor brasileiro, deixando os empresários do setor sucroalcooleiro – defensores retumbantes do presidente Jair Bolsonaro- com um baita de um sorriso amarelo.

Trump, o Falastrão

Com a derrota cada vez mais eminente, Donald Trump, desesperado, se posiciona contra a democracia americana. De maneira inédita na história eleitoral, Trump começa em suas redes sociais uma tentativa de colocar em dúvida o processo eleitoral, dizendo mentiras e criando fatos inexistentes, o que é comum para ele, mas não para um processo eleitoral. Atitude deprimente e que demonstra quem realmente é Donald Trump, um charlatão.

Agravante a este fato, Trump utiliza o palanque da Casa Branca para fazer seus discursos sem embasamentos e recheados de mentiras na tentativa de colocar em cheque o processo democrático. Discurso desesperado e de quem não sabe perder. Nada republicano.

Donald Trump diminui o tamanho do cargo que ocupa. Com tais atitudes, Trump se torna um pato manco, irrelevante politicamente e um mancha reputação. O partido Republicano irá chutá-lo após a derrota.

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