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Host, sustos e horror durante o isolamento social, confira.

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Sustos e horror durante o isolamento social são a atração de Host, filme de terror feito exclusivamente para streaming e filmado durante videochamada está sendo aclamado pela crítica.

Por MARCELO SILVA

A premissa é familiar e pra falar a verdade, um tanto quanto batida: um grupo de amigos inconsequentes decide brincar de invocar espíritos e sem querer acabam invocando entidades mais perigosas do que pretendiam.

Host, “convidado” em tradução livre, inspirado numa pegadinha que o diretor pregou em alguns amigos no começo do ano, seria só mais um filme de terror como tantos que saem todo ano não fosse um detalhe: ele se passa inteiramente durante a quarentena atual, numa chamada de Zoom e mais do que isso, de fato foi filmado dessa maneira. 

O diretor Rob Savage comandou todos os atores remotamente enquanto eles mesmos tiveram que montar iluminação e câmera. Um workshop foi feito para ensiná-los a realizar efeitos visuais práticos, como portas fechando sozinhas, cadeiras sendo puxadas, entre outras coisas. No fim, foram apenas doze semanas entre criação e distribuição para o serviço de streaming Shudder no último dia 30 de julho. 

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imagem divulgação

A façanha acaba chamando mais atenção do que o filme Host tinha para mostrar, mas o resultado final é surpreendentemente satisfatório.

O roteiro de Host cai em várias convenções do gênero, desde diálogos que parecem aleatórios mas se tornam essenciais no clímax, até jumpscares que surgem principalmente nos vinte minutos finais (alguns se prestam ao papel de remeterem aos velhos vídeos de susto que se espalhavam pela internet antes mesmo do Youtube surgir), mas a direção de atores e a forma sempre precisa e criativa como Savage utiliza a mídia diferenciada em que está trabalhando fazem a diferença. 

Não há espaço para momentos que jamais seriam registrados na vida real ou ângulos impossíveis para uma filmagem feita pelo celular ou computador – uma armadilha que muitos filmes nesse estilo caem – e também não há muito tempo para respirar, já que toda a ação acontece em apenas 56 minutos.

Com isso, uma vez que as coisas começam a dar errado na história, o espectador só consegue voltar a piscar quando os créditos surgem na tela, isso para quem tem coragem de ficar olhando para a tela o tempo todo sem morrer de nervoso, claro.

É claro que essa não é uma ideia revolucionária – Amizade Desfeita, de 2014, também é um terror passado durante uma chamada de vídeo – e o filme não se propõe a ser um novo clássico do gênero, é apenas um entretenimento rápido e sem compromisso que rende alguns bons sustos.

O que faz a conferida em Host valer a pena é pensar que ele foi escrito, filmado, editado e lançado nesse período de cinco meses em que estamos vivendo em casa e sua premissa, mesmo sendo manjada, foi adaptada para essa realidade – deve-se inclusive perdoar alguns dos diálogos dos personagens sobre a pandemia, que já estão meio datados para o momento atual, provando que nem mesmo um filme feito em cinco meses consegue acompanhar o ritmo de 2020.

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imagem divulgação

Host não é a única produção que foi filmada durante a quarentena lidando diretamente com esse assunto. Outro horror, que segue um elenco de estrelas descobrindo que sua série será cancelada, também foi feito exatamente da mesma maneira e um suspense intitulado Social Distance (Distanciamento Social), filmado por videoconferência, em outro aplicativo, já está procurando por distribuidores nos EUA.

Aparentemente, há um padrão de gênero no cinema para as produções sobre a pandemia e o isolamento social enquanto eles estão acontecendo. Talvez daqui uns anos vejamos mais comédias, dramas e romances passados durante esse período, porém nesse momento Hollywood parece mais interessada em falar sobre a ansiedade, os traumas e medos que esse período tem trazido.

Algumas pessoas podem até achar que isso é ruim, já que não ajuda o público a espairecer um pouco, mas levando em conta a situação atual nos EUA, em que boa parte da sociedade parece ter voltado à vida normal enquanto o coronavírus continua assolando o país, sem qualquer preocupação do presidente – parece familiar – quem somos nós para julgá-los não é mesmo?

Marcelo Silva, colunista de Cultura no Jornal Analítico.

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