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Falta de planejamento energético deixará conta impagável já em 2022

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A falta de planejamento energético por parte do Governo Federal para lidar com a crise energética deixará a conta de luz impagável já em 2022. Governo apostou em condições hidrológicas favoráveis quando tudo dizia o contrário. A ingerência e a incompetência consomem o país.

Não existiu planejamento energético por parte do governo. Quando ainda em Maio, início do período seco, o governo preferiu insistir em um discurso de que não faltaria água e muito menos energia, mesmo com especialistas alertando para os baixos níveis dos reservatórios e para a redução do ciclo hidrológico.

E como se insistiu no irracional, quando os cenários hidrológicos se deterioravam, o custo para gerar energia subiu e agora após mais de 120 dias de atraso e pego de calças baixas, o papo lá por Brasília mudou.

Estudos do ONS ( Operador Nacional do Sistema elétrico) do fim de julho deixavam evidente que, mesmo com o uso de toda a reserva de potência (de 12 mil MW) para suprir o consumo, em outubro o sistema teria uma “sobra” de 3 mil MW. Note as aspas, pois o número é muito pouco para qualquer administrador que entenda o que faz.

O otimismo do governo em utilizar a totalidade da reserva de potência, não passava de ilusionismo. Na prática, como toda potência já vem sendo utilizada, inclusive a reserva, em outubro faltarão 9 mil MW, em lugar da “sobra”. O que era sobra, agora é falta. E não foi por falta de avisos.

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Isso deixa o sistema energético extremamente vulnerável para atender às maiores demandas, que ocorrem entre os horários das 17 horas e 20 horas – outra lambança do presidente, que por questões próprias e irracionais instituiu o fim do horário de verão, que existia por um motivo óbvio.

Agora, é essencial reduzir o consumo em proporções gigantescas, tarefa impossível e que custará caro demais. A demora em adotar ações para a redução de demanda, além de tornar incertos seus efeitos, resultará em uma conta de luz impagável já em 2022, o que pode criar duas crises – energética e tarifária.

Os resultados já estão visíveis na conta de luz e na inflação. O recente aumento nas contas de luz tem pesado no orçamento das famílias e pressionado a inflação. A prévia do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) deste mês, divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), acelerou a 0,89%, após ficar em 0,72% em julho. Foi a maior variação para agosto em quase duas décadas.

Assim como em julho, a prévia da inflação de agosto foi puxada pelo aumento nas contas de luz, que chega a 5% no mês. Um aumento absurdo e fora da realidade para a maioria das famílias brasileiras que sofrem para pagar suas contas.

Paulo Guedes não vê problema em aumentar a conta de luz:

“Qual o problema de a energia ficar um pouco mais cara?”

Paulo Guedes

Mas não se preocupe caro leitor, a eficiente política de enfrentamento do governo já se iniciou e está a todo vapor! Pasmem, o presidente fez um apelo em sua live semanal. Bolsonaro pediu para que sua claque: “apague um ponto de luz agora” …. ufa, parece que agora vai!

Bolsonaro já saiu muito caro ao país e vai custar ainda mais.

O racionamento já começou

O governo federal publicou nesta quarta (25) o decreto nº 10.779 que estabelece medidas para redução do consumo de energia elétrica na administração pública federal. Os órgãos e as entidades deverão buscar reduzir entre 10% e 20% o consumo de energia elétrica nos meses de setembro de 2021 até abril de 2022, em relação à média do consumo do mesmo mês nos anos de 2018 e 2019.

O decreto de Jair Bolsonaro (sem partido) repete medidas adotadas vinte anos atrás por Fernando Henrique Cardoso para racionamento de energia durante a crise do apagão de 2001.

Salve-se quem puder.

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