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Brasil perdeu 15% da superfície de água em 30 anos;

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Brasil perdeu entre 1991 e 2020, 15,7% da área de superfície de rios, lagos e outros corpos abertos de água doce.

Segundo dados captados por satélite do programa Landsat, da Nasa, sobre o território brasileiro, o Brasil perdeu cerca de 15% de sua superfície hídrica nos últimos 30 anos.

Nas três últimas décadas, a cobertura de 19,7 milhões de hectares desses corpos úmidos caiu para 16,6 milhões. As perdas aconteceram em todas as regiões, mas, somadas, equivalem a uma vez e meia toda a área de água doce do Nordeste.

Com detalhes sem precedentes, a equipe do projeto MapBiomas produziu mapas mensais de todos os corpos de água doce do Brasil na forma de imagens de 9 bilhões de pixels em resolução de 30 metros por 30 metros. Isso foi feito mensalmente para toda a série histórica do Landsat, que se iniciou em 1985.

O Brasil está situado em uma região rica em Lençóis freáticos e recursos hídricos, porém a tendência analisada pelo estudo demonstra preocupação, pois a redução da área superficial de água doce no país deixa claro o estresse hídrico que estamos passando.

Segundo o engenheiro florestal Tasso Azevedo, coordenador do MapBiomas, a estimativa de área de água por satélite não é uma medida direta da quantidade do líquido disponível do país, porque deixa de fora os lençóis freáticos e não considera a profundidade de reservatórios. Porém, como o Brasil é um país de relevo pouco acidentado, as imagens são um bom indicativo do estresse hídrico que atravessamos.

— O que a gente enxerga na série é um indicador forte de perda de água — diz Azevedo. — E o que assusta é a tendência de longo prazo. Cada vez que temos um ano de seca mais forte, o país pode se recuperar um pouco depois, mas parece que não consegue voltar ao patamar anterior.

Região mais afetada

Para se ter noção da gravidade do problema, o bioma que mais sofreu perdas em termos proporcionais foi o Pantanal, onde a superfície média de água caiu de 1,6 milhão para 0,6 milhão de hectares de 1991 a 2020, uma redução de 70%.

Caracterizado essencialmente por extensas regiões de alagamento natural, esse ecossistema sofreu com secas nos últimos anos. O problema está relacionado ao desmatamento da Amazônia — que alimenta com chuvas o bioma vizinho —, à mudança climática global, que compromete o regime pluvial local, e também a alterações locais em cursos d’ água, como pequenas barragens.

Nenhum bioma do Brasil tem mais água do que possuía há 30 anos. A Amazônia, que concentra o maior volume de água do país, também não escapou da perca hídrica e reduziu sua cobertura hídrica de 11,6 milhões para 10 milhões de hectares, uma perda de 14%, sobretudo na bacia do Rio Negro.

A Caatinga, entre 2004 e 2009, chegou a ter um ganho de 13% de área hídrica aberta, com a construção de mais estruturas para captação de água. Mas secas nos anos seguintes provocaram uma queda de 30%, e hoje o bioma perdeu, em relação a 1991, 15% da cobertura de água.

Os cientistas do projeto afirmam que boa parte dos pontos de redução mais acentuada está em região de fronteira agrícola, o que sugere o aumento do consumo de água pelo agronegócio. Além disso, represas pequenas de fazendas, que são difíceis de ver no mapa nacional mas existem em grande número, provocam assoreamento e fragmentação da rede de drenagem, reduzindo a capacidade das bacias de reter umidade.

O que pensa o Jornal?

Já não cabe mais o discurso fraudulento e negacionista dos que dizem que as ações do homem não interferem nas mudanças climáticas, ou dos que tentam colocar a economia a frente do meio ambiente.

Hoje, grandes empresas e investidores estrangeiros presam por soluções ecológicas e sustentáveis. A tecnologia está a favor do homem e do meio ambiente, porém no Brasil ações e iniciativas de grupos políticos ligados ao agronegócio e ao garimpo ilegal andam de mãos dadas com o governo federal e levam o país para um retrocesso que não tem mais espaço no planeta.

A interferência direta e desenfreada do homem nos biomas através de mudanças no uso e cobertura da terra, construção de barragens e de hidrelétricas, desmatamento recorde, poluição e uso excessivo dos recursos hídricos e de combustíveis fósseis para a produção de bens e serviços alteraram a qualidade e disponibilidade da água em todos os biomas brasileiros.

Se não implantarmos a gestão e uso sustentável dos recursos hídricos considerando as diferentes características regionais e os efeitos interconectados com o uso da terra e as mudanças climáticas, será impossível alcançar as metas de desenvolvimento sustentável.

É preciso entender que ao se descolar das práticas ecológicas e da gestão ambiental o país espanta investidores e se isola mundialmente, tornando a economia cada vez mais frágil.

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