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O Brasil não irá se recuperar da Pandemia

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Por que o Brasil não irá se recuperar da Pandemia e está a cada dia que passa abrindo covas para a população e para si?

A crise sanitária e econômica que a Pandemia causou em todo o mundo é notória e disso não teríamos como escapar. Uma Pandemia gera crise sanitária, econômica e social por onde passa, devido sua gravidade. O novo coronavírus é uma dessas Pandemias.

Por diversos motivos econômicos globais o Brasil seria impactado economicamente, mas o que era para ser algo previsto, se tornou uma enorme catacumba e a cada dia se mostra um monstro imensurável.

A falta do combate aos impactos da crise gerada pelo novo coronavírus no Brasil é motivo de enorme frustração mundial e de arrependimento interno. O sentimento de luto e desanimo é notável na população.

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Como tudo começou

As notícias vindas da China, Europa e Estados Unidos e os avisos das organizações de saúde sobre o potencial infeccioso e mortal dessa doença EXIGIA que o Brasil se preparasse e a enfrentasse sob o comando de uma liderança firme, clara e decidida, que orientasse a sociedade para o enfrentamento da doença e de suas consequências. Coisa que não tivemos e não teremos, e está em negrito propositalmente.

A ingerência do presidente na saúde é algo imperdoável. Negar a Pandemia e não criar esse consenso social e nacional de que seria extremamente necessário adotar todas as medidas impostas pela OMS e pelo então ministro da saúde, foi algo criminoso e causou milhares de mortes. E irá causar mais.

E por que irá causar mais? A interiorização do vírus pelo país, algo que foi diversas vezes alertada por especialistas e diversas vezes ignorada pelo presidente, está em andamento. O Brasil é extremamente desigual – e isso não é novidade. Comparando os rincões aos grandes centros urbanos, falta estrutura e capacidade de atendimento médico em diversas regiões, Brasil a fora.

Sabendo dessa realidade, Bolsonaro nada fez. Pelo contrário, o descaso deliberado com a saúde durante a Pandemia e as tentativas de manter a atividade econômica a partir de um ponto de vista de que ” para se manter o nível da renda, valeria a pena sacrificar vidas” o Governo gerou o pandemônio.

Médicos, cientistas, economistas e autoridades do mundo criticaram Bolsonaro e citam a atuação imperdoável do governo brasileiro nas medidas que deveriam ter sido tomadas e tratadas com seriedade pelo presidente, que sempre demonstrou desdenho com a “Qüestão do vírus”.

Inabilidade presidencial

Os economistas que participaram na segunda-feira, 29, do painel sobre futuro da economia no Brazil Forum UK 2020 afirmaram que, neste momento, não dá para escolher entre economia e saúde. Segundo eles, a atuação do presidente Jair Bolsonaro, ao defender a reabertura do comércio e a extinção de medidas restritivas para possibilitar a retomada da economia, é “imperdoável”.

Para o economista e professor do King’s College London Alfredo Saad-Filho, que participou do painel, o governo brasileiro abriu mão de suas responsabilidades com a população:

“A psicopatia impede os níveis mais altos de governo de olhar para o outro, de cuidar do seu, de tratar da população. Estamos lidando com um desastre que poderia ter sido evitado. Isso, ao meu ver, é imperdoável.”

Saad Filho para O Estado de S. Paulo

Em matéria do Jornal O Estado de S. Paulo, a colunista do Estadão e Ex- economista chefe da XP Investimentos, Zeina Latif – além de diversos especialistas políticos e econômicos – citou a falta de gerência e articulação do Governo com os Estados no enfrentamento ao Coronavírus.

Abordando um cenário em que nenhuma medida tivesse sido tomada, Zeina Latif afirma que “a contaminação seria muito rápida”, com consequências duras. “Isso poderia gerar crise social, distúrbios, e de qualquer forma ia acabar impactando a economia pelas mortes, pela mão de obra que você perde, pelo caos social, pelo medo das pessoas”.

Para Latif, é importante ter em vista este cenário extremo, senão podemos acabar “confundindo a análise, achando que o isolamento causa a crise, e não exatamente a doença”.

Pandemia no Brasil
Imagem ilustração

A cova é funda e degringolamos.

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Caro leitor, a realidade é que tudo degringolou.

O presidente da República desdenhou desde o início da gravidade da pandemia, disseminou falsas notícias e informações, desautorizou as orientações emanadas pela OMS e de dois de seus Ministros da Saúde, entrou em guerra política com os governadores que tentaram conter o avanço da doença – é preciso ressaltar isso – enfim, criou um caos. No meio desse turbilhão, temos ainda o surgimento de crises institucionais e denúncias envolvendo o governo e a família Bolsonaro.

A postura do presidente minou e combateu as orientações médicas, científicas e dos governadores de que o isolamento é a melhor arma para combater a disseminação do vírus. Bolsonaro estimulou grande parcela dos brasileiros a não adotarem às medidas.

 “A reação é cada vez mais difícil. Todo mundo deveria tentar criar um programa único (de medidas de distanciamento) e recomeçar do zero. Essa situação da pandemia não tem hora para acabar”

Nelson Teich, ex- ministro da saúde

Em meio a este cenário, o Brasil ficou dividido no momento em que mais necessitava de um líder que orientasse da maneira correta e assim criasse um entendimento nacional do que deveria ter sido feito. Agora é tarde

Somado a isso, temos o Ministério da Economia.

O Ministério da Economia, outro problema somado à Pandemia e ao presidente.

Paulo Guedes, Ministro da Economia e de tendência liberal, resistiu e demorou para colocar recursos do Estado para preservar os sinais vitais da economia. O Estado tem a sua função de estimular a atividade econômica em momentos de grave crise. 

Paulo Guedes, diversas vezes deixou claro seu desdém com a base social que compõe no mínimo 90% da população brasileira – parcela da população cuja renda depende de atividades diárias, especialmente os trabalhadores informais e as empresas produtivas e de serviço, que só dependem da presença física de sua clientela para operar. Guedes, não deixou à disposição das micro e pequenas empresas, dos trabalhadores e da população em geral um subsídio financeiro suficiente e eficaz para manter a economia girando, ao contrário, insistiu em pautas liberais que retiraram direitos e ampliaram os abismos sociais, já existentes.

É compreensível que essa enorme parcela da sociedade se sinta prejudicada pela política de isolamento e esteja angustiada para gerar caixa. O que não é compreensível é o governo utilizar desse sentimento para minar as medidas que ele deveria apoiar e fortalecer, além de ser incompreensível a relutância do governo em ceder às suas tendencias liberais e dificultar crédito e acesso aos subsídios.

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Veja que em momento algum aleguei que o governo não ofereceu recursos, muitos deles iniciativas parlamentares e do legislativo, vale lembrar. O governo até ofereceu recursos às empresas e à população, mas insuficientes, ineficazes e demorados e que boa parte dos quais ficaram parados nos bancos. Os bancos, preocupados com a inadimplência, não facilitam o crédito para quem precisa.

Em suma, os recursos oferecidos só chegaram à população que necessitava, bem depois, isso quando chegaram.

Numa situação de crise qualquer, um governo capacitado, deveria fazer um balanço entre o que é mais importante/urgente para a sociedade e o que é administrável ao longo prazo. O combate à Covid-19 ou o equilíbrio fiscal?

Ministério sem ministro

Após a demissão de dois Ministros da Saúde, por motivos esdrúxulos e sem cabimentos (um deles foi mandado embora por defender o isolamento social e o outro por não liberar o uso da cloroquina, uma tara do presidente), tudo isso em meio à Pandemia, o que agrava ainda mais a situação. Hoje não temos um Ministro da Saúde. O Ministério virou paraquedas Militar, todos caem de paraquedas – ironicamente o atual ministro é paraquedista.

O Ministério da Saúde investiu apenas 29,3% dos recursos disponíveis para combater a Covid-19. A pasta, com um ministro interino, gastou R$ 11,5 bilhões dos R$ 39,3 bilhões liberados pelo governo, segundo o Painel do Orçamento Federal, elaborado com os dados recentes do SIOP (Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento).

Segundo o Painel do Orçamento, dos R$ 404 bilhões liberados pelo governo para o combate à Pandemia, incluindo os recursos para aliviar o impacto econômico e social, R$ 177,4 bilhões (43,9%) do total, foram gastos pela União. Os outros R$ 121, 6 bilhões (30,1%), foram empenhados para pagar contas pendentes.

Se você teve coragem de chegar até aqui na leitura, parabéns!

Ah, e antes que me esqueça! O resultado dessa catástrofe bolsonarista está nos números:

  • Ultrapassamos a marca de 1.400.000 brasileiros infectados e os 60 mil mortos (registrados).
  • O PIB ( Produto Interno Bruto) aponta para uma queda de 10% em 2020.
  • O desemprego referente ao mês de maio subiu 12,9% da força de trabalho em meio à Pandemia.
  • Pelo menos 600 mil micro e pequenas empresas fecharam as portas e 9 milhões de funcionários foram demitidos em razão dos efeitos econômicos da pandemia do novo coronavírus. É o que mostra levantamento feito pelo Sebrae 

Esses números traduzem a péssima gestão de crise do Governo Federal. Salve-se quem puder.

Nihil sub sole novum

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2 Comentários
  1. […] O Brasil não irá se recuperar da Pandemia […]

  2. […] já falamos aqui, o Brasil não irá se recuperar da pandemia do coronavírus. As atitudes do governo tem sido todas contrárias e negacionistas, como se de […]

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