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A Covid-19 não é apenas uma doença respiratória e sim sistêmica, apontam novos estudos

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Estudo realizado por cientistas chineses da Sichuan University of Science & Engineering e Yibin University cita casos que leva-se a uma nova maneira de enxergar o novo coronavírus e como ele ataca o organismo.

Alguns foram os casos observados em que pacientes diagnosticados com a Covid-19 tiveram enfartos, acidentes cardio vasculares e fibroses pulmonares atípicas de pneumonias comuns. Essa peculiaridade levou os médicos a repensarem a doença apenas como uma doença respiratória, mas sistêmica e patogênica (sequência de ações que provocam uma doença. A patogenia é a análise da ação de um microrganismo no corpo até o mesmo gerar uma doença) e a peculiaridade de suas caracteristicas hematológicas.

Vamos entender?

As complicações pulmonares que a Covid-19 causa são muito mais complexas do que as causadas por síndromes respiratórias comuns. Isso levou médicos a adotarem maneiras e abordagens diferentes em cada hospital. Foi observado que a Hipóxia era uma condição presente nos pacientes.

Vou passo a passo demonstrar didaticamente como o recente estudo publicado analisa a atuação do Sars- Cov-2.

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Primeiro vamos entender o que é a Hipóxia? Basicamente, a Hipóxia é a falta de oxigênio no sangue.

Os glóbulos vermelhos presentes no sangue possuem uma proteína chamada hemoglobina responsável por carregar o oxigênio e o ferro. (Já explicarei como funciona a hemoglobina e o papel que possui o ferro nela)

A Covid-19 não é apenas uma doença respiratória e sim sistêmica, apontam novos estudos

Foi observado que o vírus ataca justamente a hemoglobina, o que causa uma queda de oxigenação no sangue – a tal da hipóxia, levando como consequência a sistêmica falência de outros órgãos e tecidos. O grande problema da hipóxia é que ela é silenciosa e retarda os sintomas dando a sensação de “cura”.

Fora notado pelas equipes médicas que os pacientes estavam voltando aos hospitais, fato que gerou uma dúvida sobre uma possível recontaminação. Porém foi notada essa hipóxia tardia, que devido a falta de oxigenação no sangue gerou problemas posteriores em órgãos e tecidos além do pulmão.

Agora vamos entender como funciona a hemoglobina e a importância da relação entre o ferro e o oxigênio. A hemoglobina é uma proteína constituída por quatro subunidades, cada uma formada por porfirinas ligadas a um íon de ferro. O ferro é extremamente importante para oxigenação, pois ele permite a que o oxigênio seja ligado a hemoglobina e então possa ser distribuído para todo corpo por meio do sangue. No entanto, o ferro sem estar ligado as porfirinas é toxico, gerando uma inflamação. E é justamente aí que o vírus ataca! Ele se junta a Porfirina e separa o ferro da hemoglobina, fazendo com que o ferro corra livre pela corrente sanguínea, que é tóxico, mas pior que isso ele incapacibilita a hemoglobina de captar oxigênio.

O caminho é esse, não percam o raciocínio…

A hemoglobina sem o ferro não tem oxigenação, correto? Isso gera hipóxia. Portanto ao chegar no pulmão a hemoglobina não consegue captar e transportar o oxigênio aos demais órgãos, o que causa um efeito lento, mas devastador para todo o corpo.

O que os médicos notaram é que a falta de ar que se imaginava ser a causa das mortes, era apenas consequência da Hipóxia que atingia primeiramente os pulmões, mais agressivamente que pneumonias comuns, pois notou-se que ambos pulmões apresentavam inflamações. Com os exames de tomografia os primeiros diagnósticos eram de pneumonia, que gera síndrome respiratória aguda, falta de ar. Daí a necessidade de respiradores e intubação dos pacientes.

A falta de oxigênio no sangue que é bombeado aos demais órgãos causam danos irreparáveis até que o paciente não consiga mais se recuperar e produzir glóbulos vermelhos o suficiente. Por isso os diversos colapsos nos órgãos e tecidos do corpo humano.

Acho que consegui explanar de maneira simples para entender essa abordagem do estudo. Mas ressalto que é apenas um estudo e não uma certeza, afinal a ciência é movida por incertezas e a partir dos questionamentos que surgem os estudos e os dados são criados.

Para elaborar tal explicação técnica, porém de maneira didática contei com a ajuda do Biólogo pela UNIFESP e hoje Mestrando em Biologia da USP, João Vicente Malvezzi .

Renan Aversani

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1 comentário
  1. […] Ela ataca todos os principais órgãos e é proveniente de uma reação inflamatória anormal do organismo que pode ser fatal. Mais uma vez o vírus demonstra ser um vírus sistêmico e não respiratório, assim como citei em um artigo aqui publicado anteriormente, confira: Novos estudos apontam que vírus não é apenas respiratório, mas sistêmico. […]

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